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Histórico

A Associação dos Pesquisadores em Crítica Genética (APCG) foi fundada em 1985, por Philippe Willemart (FFLCH-USP), Telê Ancona Lopes (IEB-USP), Cecília Almeida Salles (PUC-SP) e outros pesquisadores, com o objetivo de reunir estudiosos brasileiros dedicados à investigação dos processos de criação literária, por meio da análise de manuscritos, documentos de trabalho e rastros da gênese textual.

Inicialmente nomeada Associação dos Pesquisadores do Manuscrito Literário, a entidade reformulou sua identidade institucional em 2002, adotando a atual nomenclatura e ampliando seu escopo para incluir os processos criativos em diversas artes — como literatura, artes visuais, música, teatro, performance e práticas interartísticas e interdisciplinares.

Essa transformação refletiu o amadurecimento teórico e metodológico da crítica genética no Brasil, bem como o fortalecimento de núcleos de pesquisa dedicados ao estudo da gênese da criação em universidades de todas as regiões do país.

Atualmente, a APCG conta com aproximadamente 310 associados ativos, entre pesquisadores, docentes, pós-graduandos e profissionais da área da cultura, mantendo-se como referência nacional e internacional nos debates sobre os processos de criação artística e textual. A associação articula saberes oriundos da crítica literária, da filologia, da história da arte, dos estudos da performance, das mídias e das humanidades digitais, promovendo um campo de investigação interdisciplinar e dinâmico, sensível às transformações culturais e tecnológicas contemporâneas.

Além de organizar dezesseis congressos internacionais, realizados em cidades como São Paulo, Niterói, Salvador, Ouro Preto, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e La Plata (Argentina), a APCG mantém, desde 2007, a revista Manuscrítica, periódico acadêmico reconhecido por sua excelência editorial e por sua abertura à pluralidade de abordagens nos estudos da criação. A revista tem sido um espaço privilegiado para a circulação de pesquisas inovadoras sobre rastros, arquivos, versões e trajetórias do fazer artístico, tornando-se um importante ponto de convergência entre tradição e experimentação.

Mais do que um coletivo acadêmico, a APCG afirma-se também como um espaço político e de resistência, ao promover a valorização da pesquisa nos arquivos e da leitura crítica dos vestígios da criação, em um tempo marcado pela aceleração tecnológica, pela invisibilização dos processos e pela precarização das condições de produção intelectual. Investigar os rastros da criação é, nesse sentido, um gesto de afirmação do valor humano da arte, uma prática que conecta o ato de escrever, compor, desenhar, encenar ou performar à sua dimensão ética, histórica e social.

Ao longo de quase quatro décadas, a APCG tem mantido um compromisso constante com a formação de jovens pesquisadores, a interlocução entre diferentes áreas do conhecimento e a defesa da pesquisa artística como prática crítica e socialmente relevante. Suas ações acompanham e impulsionam as agendas contemporâneas de democratização do conhecimento, descentralização dos saberes e ampliação dos horizontes epistemológicos, reforçando a crítica genética como um campo vivo, plural e fundamental para compreender os modos contemporâneos de criação.

Durante a pandemia de COVID-19, em 2021, a associação realizou um encontro extraordinário em formato 100% virtual, e, em 2022, promoveu seu primeiro congresso internacional híbrido — e também o primeiro realizado fora do Brasil — na Universidade Nacional de La Plata (Argentina), com o tema “La crítica genética en portuñol: escrituras y procesos creativos desde América Latina”. O evento consolidou a internacionalização da APCG, formalizando laços com pesquisadores de diversas universidades latino-americanas e ampliando a participação internacional na revista Manuscrítica e nas gestões da associação.

O 16º Congresso da APCG, realizado em 2024 na Universidade de São Paulo (USP), teve como tema “Arquivo Expandido: conexões e processos de criação”, marcando o reencontro presencial da comunidade acadêmica após o período pandêmico. A escolha da USP, berço da crítica genética no Brasil, teve também caráter simbólico, reunindo trabalhos sobre arquivos literários, artísticos, institucionais e experimentais, em suportes analógicos e digitais. O evento destacou o avanço das pesquisas sobre processos criativos mediados por tecnologias digitais, antecipando discussões centrais sobre autoria, mediação tecnológica e modos contemporâneos de criação.