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Processos Criativos, Arquivos e Autoria
em Tempos de IA Generativa
O 17º Congresso Internacional da Associação de Pesquisadores em Crítica Genética (APCG) tem como principal objetivo promover o debate acadêmico sobre os impactos da inteligência artificial generativa nos processos de criação, nos arquivos de escritores e artistas, e nas noções de autoria, a partir da perspectiva da crítica genética.
O evento pretende reunir pesquisadores do Brasil e do exterior para refletir sobre as transformações metodológicas, epistemológicas e éticas provocadas pelo uso de tecnologias digitais e modelos algorítmicos na análise, edição e representação dos rastros da criação. A proposta é aprofundar o diálogo sobre como a crítica genética pode responder aos novos desafios da produção e circulação de documentos criativos em ambientes digitais, sem perder de vista suas raízes teóricas e a valorização do gesto humano no processo criativo.
Além disso, o congresso visa fortalecer redes de pesquisa, divulgar investigações recentes na área, promover a formação de novos pesquisadores e ampliar o alcance da crítica genética no cenário acadêmico e cultural contemporâneo.
O 17º Congresso Internacional da Associação de Pesquisadores em Crítica Genética (APCG), intitulado “Processos Criativos, Arquivos e Autoria em Tempos de Inteligência Artificial Generativa”, será realizado de 14 a 17 de abril de 2027, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia.
O evento acontece em um momento crucial para os estudos da criação, marcado pelo avanço acelerado da inteligência artificial generativa e por seus efeitos sobre os modos de produzir, registrar, editar e interpretar obras artísticas e literárias. A crítica genética, historicamente comprometida com a análise dos rastros da criação e dos documentos de processo — manuscritos, cadernos, anotações, arquivos audiovisuais e digitais —, vê-se diante de novas questões teóricas e metodológicas, provocadas tanto pelas transformações tecnológicas quanto pelas mudanças nas práticas de escrita, leitura, circulação e curadoria.
A presença da IA nos ambientes de criação e nas ferramentas de análise crítica exige uma atualização dos debates sobre autoria, agência, mediação técnica, arquivo e materialidade da gênese — questões centrais para esse campo de estudos. Ao reunir pesquisadoras e pesquisadores do Brasil e do exterior, o congresso consolida-se como o principal fórum acadêmico da crítica genética no país, reafirmando seu papel na compreensão dos modos contemporâneos de criação e na elaboração de respostas críticas frente aos desafios impostos pelas tecnologias emergentes.
A realização do evento na UEFS — instituição pública do interior do Nordeste — reforça o compromisso com a descentralização do conhecimento e com a valorização de centros de excelência fora dos eixos tradicionais, inserindo novos territórios no circuito internacional de produção científica.
Profa. Telê Ancona Lopez
1938 – 2026 · in memoriam
Telê Ancona Lopez (in memoriam)
O 17º Congresso Internacional da APCG presta homenagem póstuma à professora Telê Ancona Lopez (1938–2026), pioneira da crítica genética no Brasil e uma das mais importantes estudiosas da obra de Mário de Andrade.
Professora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), Telê dedicou décadas ao acervo do escritor modernista, coordenando o trabalho de organização, estudo e edição de seus manuscritos, cadernos e marginália — incluindo a edição crítica de Macunaíma. Sob sua orientação, formaram-se gerações de pesquisadoras e pesquisadores que hoje sustentam os estudos dos processos de criação no país. Foi por suas mãos, em grande medida, que a crítica genética se enraizou no Brasil.
Homenageá-la em um congresso dedicado aos “Processos Criativos, Arquivos e Autoria em Tempos de IA Generativa” tem um sentido preciso: ninguém ensinou tanto, entre nós, a ler os rastros do gesto humano na criação. Diante das novas questões trazidas pela inteligência artificial — o que é autoria, o que é arquivo, o que resta do gesto —, é a sua lição que oferece o ponto de partida: a memória não é depósito, mas processo vivo.
Sua presença atravessa também a identidade visual do evento: na arte do congresso, o retrato da professora se funde às partículas douradas dos manuscritos e às constelações de dados da IA — e, entre as estrelas, brilha discretamente uma muiraquitã, o amuleto de Macunaíma, alusão ao acervo ao qual dedicou a vida.
Memória. Arquivo. Criação. Transmissão. Futuro. Cinco palavras que sintetizam o congresso e o legado de nossa homenageada.